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terça-feira, 8 de abril de 2014

E pra começar...

Em um dos meus filmes favoritos (Moulin Rouge!), é citada uma frase que me marcou muito: “A coisa mais importante que você vai aprender é amar e ser amado em retribuição”. É algo muito bonito, não vou negar, mas no caso dos alimentos o negócio mesmo é seguir o conselho do Caetano Veloso¹ quando ele diz que “E pra começar, eu sou vou gostar de quem gosta de mim.”

Lactose e Glúten, eu os amei por muito tempo da minha vida, mas infelizmente vocês não me amam e é hora seguir em frente.


A analogia é brega, eu confesso, mas a verdade é que muitas vezes ficamos apegados a coisas que nos fazem mal, apenas por força do hábito.

Quem vai me dizer que nunca se apaixonou e ficou sofrendo enquanto o outro nem dava bola, ou pior, fazia algo que machucava? A dor só passa quando a gente desapega e segue em frente. O engraçado é que na maioria das vezes, logo descobrimos que há um mundo imenso de coisas boas à nossa espera no qual nós nem havíamos reparado por fixar nosso pensamento só na dor e no que não tínhamos.

No caso de restrições alimentares não é muito diferente. Nossos hábitos são construídos desde a infância e deixar de lado produtos que sempre consumimos pode ser bem doloroso e causar grandes mudanças, inclusive na nossa vida social. A boa notícia é que uma vez superado o impacto inicial, é possível descobrir uma vasta variedade de alimentos nunca antes explorados que podem ser tão gostosos quanto os que sempre comemos, e às vezes até mais!

E porque não aproveitar a reeducação forçada para não só excluir os itens “proibidos”, mas também conhecer os demais alimentos, diversificar a dieta e torna-la mais saudável? Qualquer pessoa, intolerante ou não, pode fazer isso, mas muitas vezes falta um bom incentivo.

Não estou de forma alguma dizendo que é um privilégio ser intolerante a qualquer alimento, mas uma coisa é certa: é uma oportunidade para rever os hábitos alimentares e a nossa saúde, de forma geral.

Além disso, a verdade é que algumas coisas que estão ao nosso alcance, e outras simplesmente não estão. Eu não posso mudar o fato de que passo mal com lactose e glúten*. Posso chorar, espernear, reclamar o quanto quiser e ainda assim vou passar mal quando comê-los. A escolha que tenho é entre continuar me sentindo mal para “me dar o luxo” de comer coisas as quais estou acostumada ou me reeducar para conseguir levar uma vida saudável. Dá trabalho sim, mas vale a pena! Até porque, no meu caso pelo menos, o “passar mal” é insustentável, as restrições impostas pelas reações são maiores do que as impostas pela restrição da lactose e do glúten* na minha alimentação.

Resumindo, o glúten e a lactose NÃO são a última bolachinha do pacote (embora provavelmente representem uns 90% dela =P)! Existem muitos alimentos gostosos sem essa dupla por aí...Então, enquanto eles não gostarem de mim, eu também não quero mais saber deles! E se, por acaso, um dia me quiserem de volta (será que isso irá acontecer?), ainda vou pensar cautelosamente no caso deles, bancando a difícil!


* Como já mencionei antes minha relação com o glúten é atualmente um pouco indefinida. Não estou consumindo-o por um tempo, mas ainda não sei se isso será permanente ou não.

Ah, e já chega de divagar, a próxima postagem será com a mão na massa porque o final de semana se aproxima e a cozinha me aguarda!

=)


¹ O compositor da música é Rossini Pinto, mas na minha cabeça só consigo imaginar a voz do Caetano, por isso considero que o conselho é dele.

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