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terça-feira, 10 de abril de 2018

Sensilatte e Porque eu uso Lactase

Olá intolerantes!

Hoje vou dar boas notícias e em seguida aproveitar para falar de um assunto que muita gente tem dúvida: se vale a pena usar enzima lactase para auxiliar na digestão da lactose.

Eu já escrevi um outro post sobre LACTASE, falando mais detalhes de como funciona (você pode ler aqui). Então, sabendo dos detalhes, vamos falar primeiro das boas notícias: 

TEM ENZIMA NOVA NO MERCADO!!!



quarta-feira, 30 de abril de 2014

Sobre o Leite e seus efeitos (IL x APLV)

O leite é um alimento muito comum e amplamente utilizado no nosso dia-a-dia, mas para algumas pessoas ele pode ser um pesadelo devido a reações causadas pela sua ingestão, que podem ser decorrentes de: Intolerância à Lactose ou Alergia à Proteína do Leite. Embora ambas tenham em comum o alimento que as causa, os mecanismos são diferentes e os cuidados também são específicos para cada caso. Por isso, acho legal entender um pouco mais sobre a IL e a APLV. Vou focar mais na IL porque é o que eu tenho e por isso acabo me interessando mais, mas vou dar uma “pincelada” na alergia a proteína do leite para explicar as diferenças.

O texto ficou um pouco grande, mas acho que vale a pena ler até o final. Para quem chegar lá tem uma curiosidade (in)útil.

– Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que não sou médica, nutricionista, nem sou de qualquer profissão da área de saúde. Todas as informações contidas nessa postagem (e em outras desse blog) se baseiam nas minhas experiências de intolerante a lactose, pesquisas na internet e em livros, conversas com profissionais e conversas com outras pessoas que possuem intolerâncias alimentares. De forma alguma, essas informações substituem o acompanhamento ou orientação médica. Além disso, eventuais correções ou novas informações são bem-vindas –


Entendendo a IL

O que é a lactose?
A lactose é o “açúcar” do leite. É um carboidrato formado pela junção de dois carboidratos menores: glicose e galactose.

E o que é a intolerância à lactose?
A IL acontece quando o organismo não produz ou produz em quantidade insuficiente a enzima lactase, que é a responsável por digerir a lactose, quebrando-a em glicose e galactose.



Fonte da imagem: 
http://www.wiley.com/college/boyer/0470003790/cutting_edge/lactose_intolerance/lactose_intolerance.htm


A glicose e a galactose, que são carboidratos simples, são absorvidas para a corrente sanguínea e daí em diante desempenham suas funções no organismo. A lactose, por outro lado, por ser um carboidrato mais complexo, não é absorvida em sua forma natural e permanece no intestino se não for “quebrada” através da ação da lactase. Com isso:

- O intestino torna-se um ambiente hipertônico, o que faz com que água seja absorvida para dentro dele através da osmose. O excesso de água acaba por causar a diarreia.

- A lactose é fermentada por bactérias presentes na flora intestinal, e nesse processo são gerados gases e ácidos orgânicos.  O excesso de gases produz a sensação de inchaço, flatulência, dores abdominais, entre outros sintomas de má digestão.

E por que o organismo não produz lactase?
Bom, pelo que tenho pesquisado, a incapacidade do organismo em produzir lactase pode ser resultante de doenças intestinais que tenham danificado a mucosa do intestino e com isso, as células responsáveis pela produção da lactase  (chamado de IL secundária), ou pode ocorrer uma diminuição natural da produção de lactase ao longo da vida, determinada por fatores genéticos (chamado IL primária).

Na secundária, normalmente a intolerância é temporária e a produção de lactase é reestabelecida após a recuperação dessas células. Dependendo da gravidade do caso, entretanto, pode ser que o dano seja permanente.

Na primária, o quadro provavelmente é permanente, mas é comum que pequenas quantidades de lactose sejam toleradas. Essa quantidade varia de pessoa para pessoa e mesmo para cada indivíduo pode variar ao longo do tempo, pois fatores como o estado emocional, qualidade de vida e alimentação influenciam a quantidade de lactase produzida.

Quais são os principais sintomas?
Alguns desconfortos causados pela IL são:

- Diarreia (ou às vezes constipação)
- Dor abdominal;
- Inchaço abdominal;
- Gases / Flatulência;

E o que pode ser feito para melhorar a IL?
A forma mais simples que aprendi: parar de consumir lactose. A IL não vai sumir, mas o desconforto vai. Nesse ponto, é importante cada um testar seus limites, pois enquanto algumas pessoas, mesmo com IL, ainda podem consumir pequenas quantidades de leite e derivados sem apresentar desconforto, outras apresentam reações fortíssimas mesmo com a ingestão de quantidades mínimas.

Utilizando meu caso como exemplo: ao descobrir minha IL eu cortei da minha alimentação basicamente o leite em si, sorvetes cremosos, leite condensado e creme de leite, mas conseguia comer tranquilamente queijos, manteiga e bolos ou pães produzidos com leite (sem excessos, claro). Recentemente, percebi que minha tolerância diminuiu e esses itens já não são mais tão inofensivos pra mim. Será que eu vou poder voltar a consumir pequenas quantidades de lactose sem problemas? Pode ser, pois no momento estou em uma fase crítica, inclusive investigando outros possíveis problemas além da IL, mas isso eu só descobrirei com o tempo.

Além disso, há a opção da ingestão da enzima lactase (encontrada atualmente em pó ou em comprimidos, mas depois falo dela com mais detalhes) junto com o consumo de produtos que contenham lactose para que ela atue na digestão, como nossa própria lactase atuaria, se fosse produzida pelo organismo em quantidade suficiente. Embora haja uma medida que indica o quanto de lactose pode ser consumida depois de cada dose, o que eu aprendi na prática é que  também nesse caso é importante cada um testar e conhecer seu limite para garantir que não irá passar mal, pois uma pessoa que produz pouca lactase precisará suplementar menos do que outra que não produz nenhuma lactase, por exemplo. Atualmente, a alguns alimentos lácteos, é adicionada a enzima durante o processo produtivo, de forma que eles já chegam ao mercado sem lactose ou com lactose reduzida.

O uso de probióticos (alimentos que contém micro-organismos vivos em sua composição) também beneficia os intolerantes a lactose, pois além de promover o equilíbrio da flora intestinal e consequente integridade das células do intestino, as bactérias benéficas ao organismo, contidas nos probióticos usam a lactose (dentre outras coisas) em seus processos naturais, consumindo parte desse carboidrato que permaneceria no intestino.

Mas é sempre muito importante que qualquer diagnóstico e consequente tratamento seja orientado e acompanhado por um profissional qualificado para tal. 



Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV)

A alergia a proteína do leite de vaca é uma reação do sistema imunológico que identifica a proteína do leite como uma substância estranha e produz anticorpos e/ou células inflamatórias para combatê-la. Em decorrência dessa reação, a pessoa pode apresentar sintomas gastrointestinais (cólicas, diarreia, vomito, dificuldade para engolir, entre outros), de pele (coceira nos olhos e na pele, urticária, inchaço de olhos e lábios, etc), respiratórios (coriza, obstrução nasal, tosse, respiração difícil) ou gerais (baixo ganho de peso, anafilaxia, que em casos graves pode culminar com o fechamento da garganta).

No caso da alergia, às vezes a reação ocorre especificamente com a proteína do leite de vaca e a pessoa pode não ter reações com outros leites animais (como o de cabra ou outro), entretanto, como as proteínas não são tão diferentes assim, é comum que qualquer leite animal desencadeie a reação e por isso é muito importante orientação e acompanhamento médico.

Para quem tiver interesse em saber mais sobre a APLV, essa cartilha é muito boa. Foi de onde tirei a maioria das informações sobre APLV e é bem mais completa do que minha breve descrição: 
http://www.alergiaaoleitedevaca.com.br/_download/folheto_aplv_escolas.pdf


IL x APLV

Os sintomas às vezes são confundidos, pois os distúrbios gastrointestinais podem ocorrer em ambos casos, entretanto os motivos pelos quais ocorrem são diferentes e enquanto a IL se restringe a esses sintomas, a APLV pode ter vários outros, como citados anteriormente.

A regra básica para os cuidados é que no caso da APLV, é necessário que o leite de vaca seja completamente excluído da dieta pois até pequenos traços podem desencadear a reação alérgica. Já na IL, produtos elaborados com leite, mas com zero ou baixa lactose (dependendo do nível de intolerância) podem ser consumidos e normalmente também não é necessário se preocupar com a contaminação cruzada, ou traços de leite, pois isso não causa desconforto (exceto em casos muito graves).

Quem está buscando mais informações sobre a contaminação cruzada com leite, pode também consultar a cartilha que mencionei acima, que contém várias orientações e dicas para evitar que isso aconteça.

Outra informação interessante é que a APLV é mais frequente em crianças e rara em adultos, pois é comum sumir conforme as crianças crescem e a IL é muito mais comum em adultos e idosos do que em crianças. Estima-se que cerca de 70% da população adulta seja intolerante a lactose em algum nível.

Bom, espero que esse texto ajude esclarecer algumas dúvidas. Mas antes de finalizar, um momento de descontração com uma curiosidade bombástica extraída do blog Gastroenterologia Pediátrica e Nutrição 
(http://gastropedinutri.blogspot.com.br/2014/02/intolerancia-lactose-historia-genetica.html): 

“A Foca, Zalphus californianos, constitui uma exceção entre os mamíferos, posto que seu leite não possui Lactose e nenhum outro carboidrato, e a glicose encontrada no sangue dos filhotes durante o período da amamentação é derivada primariamente do glicerol da gordura do leite da foca.”

Agora que acabei de descobrir isso, por favor, “alguém me amassa, porque tô passada”!

Pesquisando um pouco mais sobre essa curiosidade que me intrigou bastante, achei esse site 
(http://www.wiley.com/college/boyer/0470003790/cutting_edge/lactose_intolerance/lactose_intolerance.htm)
que diz que além das focas, outros mamíferos marinhos como as morsas e leões marinhos também produzem leite sem lactose, devido à falta de uma substância necessária para síntese da lactose quando o leite está sendo produzido. 

O mesmo site ainda relata que em 1933, um bebê morsa que estava sendo transportado do Alasca para a Califórnia foi alimentado com leite de vaca e apresentou diarreia grave, pois esses animais não produzem lactase, já que não consomem lactose. 
**Tadinho do bebê morsa**


Manhêêêêêêê, tô com dor de barriga!

Então amigos, vemos que não estamos sós na natureza. Focas, morsas e leões marinhos aparentemente nos acompanham na IL!

Se é mesmo assim, eu não sei dizer. 
Aqui http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/2364254 aparece um pequeno percentual de lactose no leite de uma determinada espécie de foca, mas controvérsias a parte, achei bem interessante. Alguém sabe mais sobre esse assunto?

E aliás, onde compra leite de foca, de morsa ou de leão marinho? Se eu não descobrir, terei que fazer como o Mussum? =P




Abraço a todos!

terça-feira, 8 de abril de 2014

E pra começar...

Em um dos meus filmes favoritos (Moulin Rouge!), é citada uma frase que me marcou muito: “A coisa mais importante que você vai aprender é amar e ser amado em retribuição”. É algo muito bonito, não vou negar, mas no caso dos alimentos o negócio mesmo é seguir o conselho do Caetano Veloso¹ quando ele diz que “E pra começar, eu sou vou gostar de quem gosta de mim.”

Lactose e Glúten, eu os amei por muito tempo da minha vida, mas infelizmente vocês não me amam e é hora seguir em frente.


A analogia é brega, eu confesso, mas a verdade é que muitas vezes ficamos apegados a coisas que nos fazem mal, apenas por força do hábito.

Quem vai me dizer que nunca se apaixonou e ficou sofrendo enquanto o outro nem dava bola, ou pior, fazia algo que machucava? A dor só passa quando a gente desapega e segue em frente. O engraçado é que na maioria das vezes, logo descobrimos que há um mundo imenso de coisas boas à nossa espera no qual nós nem havíamos reparado por fixar nosso pensamento só na dor e no que não tínhamos.

No caso de restrições alimentares não é muito diferente. Nossos hábitos são construídos desde a infância e deixar de lado produtos que sempre consumimos pode ser bem doloroso e causar grandes mudanças, inclusive na nossa vida social. A boa notícia é que uma vez superado o impacto inicial, é possível descobrir uma vasta variedade de alimentos nunca antes explorados que podem ser tão gostosos quanto os que sempre comemos, e às vezes até mais!

E porque não aproveitar a reeducação forçada para não só excluir os itens “proibidos”, mas também conhecer os demais alimentos, diversificar a dieta e torna-la mais saudável? Qualquer pessoa, intolerante ou não, pode fazer isso, mas muitas vezes falta um bom incentivo.

Não estou de forma alguma dizendo que é um privilégio ser intolerante a qualquer alimento, mas uma coisa é certa: é uma oportunidade para rever os hábitos alimentares e a nossa saúde, de forma geral.

Além disso, a verdade é que algumas coisas que estão ao nosso alcance, e outras simplesmente não estão. Eu não posso mudar o fato de que passo mal com lactose e glúten*. Posso chorar, espernear, reclamar o quanto quiser e ainda assim vou passar mal quando comê-los. A escolha que tenho é entre continuar me sentindo mal para “me dar o luxo” de comer coisas as quais estou acostumada ou me reeducar para conseguir levar uma vida saudável. Dá trabalho sim, mas vale a pena! Até porque, no meu caso pelo menos, o “passar mal” é insustentável, as restrições impostas pelas reações são maiores do que as impostas pela restrição da lactose e do glúten* na minha alimentação.

Resumindo, o glúten e a lactose NÃO são a última bolachinha do pacote (embora provavelmente representem uns 90% dela =P)! Existem muitos alimentos gostosos sem essa dupla por aí...Então, enquanto eles não gostarem de mim, eu também não quero mais saber deles! E se, por acaso, um dia me quiserem de volta (será que isso irá acontecer?), ainda vou pensar cautelosamente no caso deles, bancando a difícil!


* Como já mencionei antes minha relação com o glúten é atualmente um pouco indefinida. Não estou consumindo-o por um tempo, mas ainda não sei se isso será permanente ou não.

Ah, e já chega de divagar, a próxima postagem será com a mão na massa porque o final de semana se aproxima e a cozinha me aguarda!

=)


¹ O compositor da música é Rossini Pinto, mas na minha cabeça só consigo imaginar a voz do Caetano, por isso considero que o conselho é dele.

Sem Lactose, Com Alegria



Olá amigos,

A intolerância a lactose é uma velha conhecida minha e há algum tempo venho pensando em compartilhar de maneira mais formal o que aprendi nesses anos de IL. Em vista de alguns acontecimentos recentes, decidi que já era hora de colocar essa ideia em prática e irei contar nesse blog minhas experiências sem lactose e também sem glúten (uma adição em relação ao plano original)!

Depois de mais de 5 anos da descoberta da minha intolerância a lactose e convivendo harmoniosamente com ela, recentemente voltei a passar muito mal sem nenhum motivo aparente. O primeiro instinto foi, obviamente, cortar as pequenas quantidades de lactose que eu ainda consumia esporadicamente (manteiga, leites com lactose reduzida, queijo parmesão para acompanhar massas, etc), mas infelizmente continuei passando muito mal mesmo depois de cortar 100% a lactose.

Percebi então que o glúten também não está me fazendo nada bem, embora não haja nenhum indicativo de doença celíaca ou alergia ao glúten nos meus exames. Dessa forma, ele ficará fora da minha dieta (100% fora ou muito reduzido) pelo menos por algum tempo.

Nesse período de incertezas sobre o gatilho dos meus sintomas, pesquisei bastante, testei receitas e provei vários novos produtos – o que pretendo continuar fazendo! Resolvi então finalmente criar o blog para compartilhar as coisas que aprendi desde o início da minha intolerância a lactose, passando por essa recente fase crítica de incerteza e também quaisquer novidades que o futuro pode trazer. E claro, para trocar informações com outras pessoas que passam por situações semelhantes ou que tem qualquer tipo de interesse sobre o assunto.

Minha relação com o glúten ainda é um pouco nebulosa, mas independente de qualquer resultado, não pretendo voltar a consumi-lo nas quantidades que consumia antes, de forma que o blog sempre terá dicas sobre esse tema.

O objetivo básico do blog é trazer receitas, dicas de produtos e informações diversas sobre a alimentação sem lactose e sem glúten. Algumas receitas e informações poderão ser voltadas especificamente para uma das duas coisas, mas tentarei sempre trazer novidades dos dois temas, além de sinalizar sempre que a postagem for interessante para quem possui outras restrições alimentares também (ovos, oleaginosas, soja, alergia a proteína do leite, etc).

Uma coisa importante e que ficou muito clara para mim é que a informação é a melhor amiga das alergias e intolerâncias alimentares. Por isso, se eu puder contribuir um pouquinho (como vários blogs e sites contribuíram para o meu aprendizado) com quem está buscando mais informações sobre a restrição de lactose e glúten e também continuar aprendendo através da troca de experiências, o "Sem Lactose, Com Alegria" terá seu propósito alcançado!

Bem-vindos ao mundo sem lactose e sem glúten.


Abraços! =)

Feiras Orgânicas - GRANDE VITÓRIA - ES

Olá Olá, Vamos falar de alimentação saudável , sustentabilidade e desenvolvimento da economia local no mesmo post? Colocando assim, a...